Páginas

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Pará tem déficit de 246 mil moradias dignas

 O sonho da moradia de forma digna, com saneamento e água encanada nas torneiras de casa ainda é uma realidade distante no Pará. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado tem um déficit de 246.372 mil moradias, dentre elas as que se encontram incapazes de atender dignamente os moradores, bem como o número de casas que precisam ser construídas para atender famílias que estão em situação de coabitação forçada, isto é, compartilhando uma unidade habitacional sem que esteja de acordo com seu desejo.
Nossa equipe constatou a precária situação de famílias que vivem na Invasão do Japonês, situado no bairro do Bengui, próximo à avenida Augusto Montenegro, onde na segunda-feira (6) quatro casas ficaram completamente destruídas devido a um incêndio. Uma parte do terreno da invasão é alagada e a outra é coberta de terra, lama e mato alto, por isso as casas são palafitas, uma ligada à outra por pontes de madeira. Não há água encanada para as famílias, que precisam interligar canos com a tubulação principal. Segundo a população, a Companhia de Habitação do Estado do Pará (Cohab) nunca passou pela área.
José Maria Ramos é um dos moradores da invasão que teve a casa atingida pelo fogo. Segundo ele, seis pessoas, entre filhos e netos, moravam na casa de 20 metros por 6m de frente, comprada há dois anos. José, que trabalha como pedreiro, conta que a família veio do Maranhão para tratar a doença de uma das filhas e ficou morando de aluguel por oito anos. “Eu não tenho documento do terreno, tenho apenas um comprovante de compra que também foi embora no incêndio”, contou.

O déficit habitacional no Pará é um dos maiores do Brasil: de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mais de 1,2 milhão de pessoas não têm moradia apropriada no território paraense. A área metropolitana de Belém lidera o ranking de déficit habitacional, com 20% das moradias em condições precárias, casas improvisadas, mais de uma família morando no mesmo lugar e cômodos cedidos ou alugados (cortiços).
(Diário do Pará)

Nenhum comentário:

Postar um comentário